Lesões térmicas do nariz externo: Queimaduras, congelamento
Afanasyeva D.Otorrinolaringologista, MD
12 min ler·Abril 28, 2025
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As lesões térmicas do nariz são danos à pele e aos tecidos subjacentes causados pela exposição a temperaturas extremamente baixas ou altas.
Queimaduras no nariz
Etiologia das queimaduras nasais
As queimaduras ocorrem devido à exposição a líquidos quentes, vapor ou altas doses de radiação UV (queimaduras solares). Quanto mais elevada for a temperatura do líquido prejudicial (vapor) e quanto maior for o tempo de exposição, mais extenso será o dano.
Anatomia de queimaduras nasais
As queimaduras são classificadas de acordo com a profundidade do dano:
queimaduras superficiais (1º grau) — atingem apenas a epiderme (camada superior da pele);
queimaduras de espessura parcial superficial (2º grau) — acometam a epiderme e as camadas superiores da derme (camada papilar);
queimaduras profundas (3º grau) — afetam a epiderme, a gordura subcutânea e os anexos da pele (folículos pilosos, glândulas sudoríparas);
queimaduras profundas de espessura total (4º grau) — além de danos à pele, ocorre a necrose de músculos, tendões e cartilagens com exposição do tecido ósseo.
A cicatrização das queimaduras de 1º e 2º graus ocorre pela epitelização da superfície da ferida, enquanto as de 3º e 4º cicatrizam devido à proliferação de tecido cicatricial.
Manifestações clínicasde queimaduras do nariz
Nas queimaduras de qualquer grau, ocorre dor intensa no local da lesão.
A queimadura de 1º grau é caracterizada pela hiperemia cutânea. A área queimada é dolorosa ao toque e fica pálida ao pressionar.
A queimadura de 2º grau causa a formação de bolhas serosas com líquido claro na pele hiperêmica; o fundo dessas bolhas é rosa. As bolhas podem surgir posteriormente, até 24 horas após a queimadura. Esse tipo de queimadura é caracterizado também pela sensibilidade ao toque.
A queimadura de 3º grau é caracterizada pela formação de bolhas serosas e hemorrágicas na pele hiperêmica e infiltrada. A necrose seca também é possível. A área danificada é moderadamente dolorida ou indolor, o cabelo cai.
A queimadura profunda de espessura total de 4º grau é caracterizada pela formação de crosta preta. A ferida é indolor, seu fundo é representado pelo tecido ósseo.
Deve-se notar que as queimaduras isoladas do nariz são extremamente raras. Geralmente elas são acompanhadas de danos em outras áreas.
Classificação das queimaduras nasais segundo a profundidade da lesão
Grau
Profundidade da lesão
Alterações locais
Dor
Cicatrização
1º
Apenas epiderme
Hiperemia (vermelhidão) da pele. À palpação – dor. Ao pressionar, a área fica pálida
Moderada ao toque
Epitelização, sem cicatrizes
2º
A epiderme e as camadas superiores da derme (camada papilar)
Bolhas serosas com conteúdo transparente na pele hiperêmica. O fundo das bolhas é cor-de-rosa. As bolhas podem aparecer dentro de 24 horas
Intensa
Epitelização, sem cicatrizes
3º
Epiderme, derme, gordura subcutânea, anexos da pele
Bolhas serosas e hemorrágicas, necrose seca. A pele está hiperémica e infiltrada. O cabelo é facilmente removido
Reduzida ou ausente
Cicatrização
4º
Todas as camadas da pele, músculos, tendões, cartilagens, possivelmente ossos
Crosta preta, o fundo da ferida é representado pelo tecido ósseo. Necrose extensa
Ausente
Cicatrizes graves
Diagnósticode queimaduras do nariz
O diagnóstico é baseado no histórico da lesão e no exame otorrinolaringológico. Na fase pré-hospitalar, é essencial avaliar a permeabilidade das vias aéreas. A mucosa nasofaríngea é examenada regularmente para detectar as queimaduras e o edema mucoso reativo e também para prevenir a insuficiência respiratória. Para determinar o tratamento subsequente, são avaliadas a profundidade e a extensão da lesão em relação à área total da superfície corporal. Em casos de lesões extensas, para prevenir o desenvolvimento de complicações sistêmicas, são realizados a bioquímica sangínea, a bioquímica urinária e o eletrocardiograma (ECG).
Tratamento de queimaduras nasais
Em primeiro lugar, deve-se interromper o impacto do fator prejudicial. Caso ocorra a inalação de fumaça na fase pré-hospitalar, é iniciada a insuflação de oxigênio umidificado.
Se possível, deve-se resfriar a área lesionada e administrar analgésicos adequados. Nas queimaduras superficiais, recomenda-se uma terapia local. São prescritos curativos com pomadas antibióticas. Não é recomendado estourar pequenas bolhas, enquanto as maiores devem ser excisadas. Pacientes com queimaduras profundas podem necessitar de enxerto de pele.
As queimaduras extensas e profundas requerem tratamento em um hospital especializado no tratamento de queimaduras.
Geladura nasal
Etiologiade congelamento do nariz
O congelamento ocorre como resultado da exposição prolongada de áreas do corpo a baixas temperaturas. A exposição prolongada a condições ambientais adversas, como alta umidade e vento, pode causar o congelamento mesmo em temperaturas acima de zero.
Anatomiade congelamento do nariz
O congelamento também interrompe a circulação sanguínea, causando os espasmos nos pequenos vasos sanguíneos distais. Ocorre a isquemia tecidual, levando à morte celular. A extensão exata do congelamento pode, às vezes, ser avaliada após vários dias devido ao lento aparecimento das alterações características (as bolhas surgem após 4 a 8 horas e a linha de demarcação da necrose aparece após vários dias).
O congelamento de 1º grau afeta as camadas superficiais da derme, causando a palidez.
O congelamento de 2º grau caracteriza-se pela formação de bolhas serosas na pele pálida.
O congelamento de 3º grau é caracterizado pelas lesões cutâneas profundas. Formam-se as bolhas preenchidas com líquido hemorrágico.
No 4º grau de congelamento, ocorre a necrose de toda a espessura da pele e dos tecidos subjacentes. Desenvolve-se a gangrena seca, e as áreas distais ficam cobertas pela crosta seca e preta; em alguns casos, ocorre a autoamputação. A pele é cianótica, marmoreada. As lesões se combinam com manifestações de 2º e 3º grau com a formação de bolhas com conteúdos variados.
Quadro clínico de congelamento do nariz
O congelamento é inicialmente caracterizado por uma sensação de queimação e dormência na área afetada. A área afetada pelo congelamento fica pálida, fria, endurecida, com aspecto marmorizado. Após o aquecimento, surge uma dor intensa; quanto mais grave a lesão, mais intensa a dor. A pele fica muito vermelha e inchada. Cada fase é caracterizada pelas alterações cutâneas locais descritas acima.
Classificação de congelamento do nariz por gravidade da lesão
Grau
Profundidade da lesão
Alterações locais
Dor
Cicatrização
1º
As camadas superficiais da derme
Pele pálida, dormência, queimação, área fria. Após o aquecimento: hiperemia e inchaço. Sem formação de bolhas.
Moderada, piora após o aquecimento.
Rápida, sem cicatrizes.
2º
A epiderme e as camadas superiores da derme (camada papilar)
As bolhas serosas com conteúdo claro aparecem após 4 a 8 horas. A pele fica pálida e fria. Posteriomente: inchaço e hiperemia.
Intensa
Completa, pode ocorrer a hiperpigmentação
3º
Camadas profundas da pele
Bolhas com conteúdo hemorrágico, pele marmorizada e azulada. Os pêlos da zona afetada caem. Posteriormente ocorre a necrose
Grave, depois diminui
Lenta, com cicatrizes
4º
Toda a pele e os tecidos subjacentes (tecido adiposo subcutâneo, músculos, ossos)
Gangrena seca, crosta seca e negra, autoamputação. Na maioria das vezes, é associada a sinais de graus 2º–3º. Demarcação após alguns dias
É ausente devido à morte das terminações nervosas
Lenta, com perda de tecido e cicatrizes graves
Diagnóstico
O diagnóstico se baseia no histórico médico e nas queixas do paciente. São avaliados o estado geral do paciente e as alterações locais.
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Tratamento das queimaduras de frio nasais
É essencial aquecer a área lesionada. É estritamente proibido esfregar a pele ou usar chamas, já que há alto risco de queimaduras devido à falta de sensibilidade. A área lesionada pode ser mergulhada em água morna ou pode ser aplicada uma bandagem seca e morna.
Os pacientes devem ser adequadamente anestesiados; em alguns casos, são utilizados os analgésicos opioides. Em caso de hipotermia, recomenda-se a ingestão de bebidas quentes e o uso de cobertores térmicos. O tratamento local consiste em tratar as bolhas com pomadas antibióticas e aplicar curativos estéreis. Para melhorar a perfusão tecidual, são prescritos os anticoagulantes, os antiplaquetários e os vasodilatadores. Na presença de gangrena seca, o tecido danificado é excisado.
FAQ
1. Por que nem sempre é possível determinar imediatamente o grau de congelamento?
As alterações profundas não aparecem imediatamente: as bolhas se formam após 4 a 8 horas, e a linha de demarcação surge após vários dias. A avaliação final da gravidade do congelamento é feita dinamicamente.
2. Por que é proibido esfregar a pele em caso de congelamento?
Esfregar o tecido dormente pode levar a danos mecânicos e até às queimaduras térmicas se for utilizada uma fonte de calor direta. Em conjunto com a isquemia e a morte celular, isso aumenta o risco de complicações secundárias e infecções. A opção adequada é o aquecimento passivo com água morna ou calor seco.
3. Como os tratamentos da queimadura e do congelamento diferem?
Quando se trata das queimaduras, é importante eliminar o fator térmico, aliviar a dor e prevenir infecções. O congelamento requer o aquecimento gradual, a restauração do fluxo sanguíneo e o tratamento de distúrbios vasculares. As áreas necróticas às vezes são removidas cirurgicamente.
4. É possível sofrer uma lesão combinada, ou seja, ter a queimadura e o congelamento simultaneamente?
Em algumas situações clínicas, especialmente se houver uma tentativa incorreta de aquecer a área congelada com a chama aberta ou com objetos quentes, a queimadura térmica pode se sobrepor ao tecido já danificado pelo frio. Isso agrava significativamente o curso da doença, aumenta a área de necrose e eleva o risco de complicações.
5. Quais complicações podem surgir com as queimaduras e o congelamento do nariz?
As principais complicações incluem a infecção da ferida, as cicatrizes graves e as deformidades da parte externa do nariz. As queimaduras e o congelamento profundos podem danificar o esqueleto cartilaginoso, o que pode levar a dificuldades respiratórias persistentes e aos distúrbios do olfato. Além disso, danos à mucosa nasal frequentemente causam o inchaço, dificultando a respiração nasal e criando o risco de infecção secundária.
Referências
1.
VOKA 3D Anatomy & Pathology – Complete Anatomy and Pathology 3D Atlas [Internet]. VOKA 3D Anatomy & Pathology [VOKA 3D Anatomia & Patologia].
Available from: https://catalog.voka.io/
2.
Sclafani AP, Dyleski RA, Pitman MJ, Schantz SP. Total otolaryngology—head and neck surgery (Otolaringologia completa—cirurgia de pescoço e cabeça). Nova York: Thieme Medical Publishers; 2015. ISBN: 978-1-60406-646-3.
3.
Behrbohm H, Kaschke O, Nawka T, Swift A. Bolezni ukha, gorla i nosa [Ear, nose, and throat diseases]. 2a ed. Moscou: MEDpress-inform; 2016. 776 p. [Em russo.] ISBN 978-5-00030-322-1.
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