Úlcera péptica do estômago e do duodeno (úlceras gastroduodenais)
Úlcera péptica do estômago e do duodeno (úlceras gastroduodenais): Sintomas, etiologia, diagnóstico e tratamento
Filatov A.Cirurgião abdominal, MD
24 min ler·Junho 17, 2025
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A úlcera gastroduodenal é um defeito da parede do estômago ou do duodeno, penetrando mais profundamente do que a camada submucosa.
Nos países desenvolvidos, esta patologia é identificada em 15% da população adulta. A maior mortalidade é observada no Japão e em Portugal, a menor nos EUA e no Canadá.
Úlceras duodenais ocorrem 5 a 7 vezes mais frequentemente do que úlceras gástricas. A proporção entre homens e mulheres é de 3 a 4:1.
Anatomia
Estômago
O estômago está localizado na parte superior da cavidade abdominal. É mantido em posição pela fixação com o esôfago e o duodeno, bem como por ligamentos com o fígado, pâncreas, baço e cólon transverso. Na junção do estômago com o duodeno está o esfíncter pilórico.
Na parede do estômago, distinguem-se as camadas serosa, muscular, submucosa e mucosa. Na camada muscular, as fibras estão dispostas em camadas de diversas direções: longitudinal, oblíqua, circular.
A mucosa gástrica, com espessura de 0,5 a 1,5 mm, possui uma estrutura complexa (forma pregas e fovéolas gástricas) e composição (mucócitos, glândulas tubulares).
A estrutura das glândulas gástricas varia nas diferentes partes do órgão:
região cárdica — células intermediárias, mucoides e argentafins;
corpo e fundo — células parietais (sintetizam ácido clorídrico), células principais (sintetizam pepsinogênio) e células adicionais (mucoides, sintetizam muco);
região pilórica — as glândulas são compostas principalmente por células mucoides e parietais.
Células endócrinas estão espalhadas por toda a mucosa gástrica. O epitélio gástrico é renovado constantemente (em média a cada 3 a 5 dias).
O suprimento sanguíneo do estômago é feito a partir dos ramos do tronco celíaco:
artérias gástricas esquerda e direita;
artérias gastroepiploicas esquerda e direita;
artérias curtas do fundo gástrico.
A inervação é realizada pelo nervo vago e pelos ramos do plexo solar. Na parede do estômago, existem três plexos nervosos principais:
subseroso;
intermuscular;
submucoso.
Diariamente, o estômago produz até 2 litros de suco gástrico, que, além de ácido clorídrico, contém enzimas proteolíticas e muco.
Duodeno
O duodeno (DPC) é uma continuação do estômago. Começa no esfíncter pilórico e termina na flexura duodenojejunal (na região do ligamento de Treitz).
A parede do intestino é composta por camadas:
serosa (nas áreas de localização mesoperitoneal);
muscular;
submucosa;
mucosa.
A camada muscular possui duas camadas:
externa longitudinal (continuação da camada gástrica, garantindo a continuidade da onda peristáltica);
interna circular.
A mucosa do duodeno forma vilosidades intestinais (até 40 vilosidades por 1 mm), cobertas por enterócitos. Além disso, na mucosa existem células caliciformes, que produzem mucina, e células endócrinas (distribuídas de forma difusa).
No duodeno, são distinguidas as partes:
superior horizontal (bulbo duodenal);
descendente;
inferior horizontal;
ascendente.
Na porção descendente do duodeno, através da papila duodenal maior (ampola de Vater), abrem-se:
duto biliar comum;
duto de Wirsung.
Através da papila duodenal menor, abre-se o duto acessório do pâncreas (duto de Santorini).
O suprimento sanguíneo do duodeno é feito através dos ramos da artéria mesentérica superior:
artéria pancreatoduodenal superior anterior;
artéria pancreatoduodenal superior posterior;
artéria pancreatoduodenal inferior anterior;
artéria pancreatoduodenal inferior posterior.
Classificação da úlcera péptica do estômago e do duodeno
Por localização
úlcera gástrica — úlceras das regiões cárdica e subcárdica, úlceras do corpo do estômago (grandes e pequenas curvaturas), úlceras das regiões pilórica e antral);
úlcera duodenal — úlceras do bulbo duodenal, úlceras pós-bulbares.
Úlcera gigante na junção do corpo e da região antral do estômago
Por número
isoladas;
múltiplo.
Múltiplas úlceras do corpo e da região antral do estômago – modelo 3DAnimação 3D – múltiplas úlceras gástricas
Classificação de A.G. Johnson (1990):
Tipo I — úlceras crônicas da pequena curvatura;
Tipo II — úlceras crônicas associadas à úlcera duodenal (incluindo úlcera duodenal cicatrizada);
Tipo III — úlceras crônicas prepiloricas;
Tipo IV — úlceras crônicas superficiais agudas;
Tipo V — úlceras crônicas devido à síndrome de Zollinger-Ellison.
Classificação de Forrest:
Tipo FI — hemorragia ativa:
Ia – jato pulsátil;
Ib – fluxo contínuo.
Tipo FII — sinais de hemorragia recente:
IIa – vaso visível (não sangrante);
IIb – trombo fixo;
IIc – mancha preta plana (fundo da úlcera negro).
Tipo FIII — úlcera com fundo limpo (branco).
Fatores de desenvolvimento da úlcera péptica
Os fatores que contribuem para o desenvolvimento da úlcera péptica incluem:
Hereditariedade: predisposição transmitida principalmente pela linha masculina; a frequência de desenvolvimento em descendentes de primeira linha é 3 vezes maior do que em indivíduos sem hereditariedade pesada.
Álcool: em altas concentrações, causa danos diretos, altera a camada de proteção mucinosa e estimula a atividade das glândulas gástricas, aumentando assim a produção de ácido clorídrico.
Tabagismo: a nicotina causa vasoconstrição no estômago, estimula a produção de ácido clorídrico e provoca o refluxo gastroduodenal, reduzindo a secreção de bicarbonatos (piorando as propriedades protetoras da mucosa).
Características alimentares: alimentos picantes, excessivamente quentes ou frios, assim como alimentos muito fibrosos, podem fisicamente danificar a parede do trato gastrointestinal.
Alimentação irregular: hipersecreção em jejum e lesão ácido-peptígica da mucosa.
Uso de certos medicamentos: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), glicocorticoides, anticoagulantes, aspirina, alendronato.
Estresse prolongado ou regular: desenvolvimento de úlceras de estresse.
Etiologia das úlceras
No desenvolvimento de úlceras gastroduodenais, o principal mecanismo patogenético é o predomínio dos fatores de agressão sobre as propriedades protetoras da mucosa gástrica e do duodeno. Com o tempo, isso leva à formação de um defeito na mucosa, e na ausência de tratamento, ao desenvolvimento de complicações (o chamado “balanço de Shoy”).
Fatores de agressão incluem:
produção excessiva de ácido clorídrico: atividade aumentada das células parietais das glândulas gástricas, hipertonia do nervo vago, aumento da secreção de gastrina;
Helicobacter pylori: o microrganismo libera a enzima mucinase, que altera as propriedades protetoras da mucosa; libera catalase e urease, que levam diretamente à morte dos epiteliócitos. A presença da bactéria no submucosa em si provoca uma reação inflamatória na parede do estômago;
Animação 3D – úlcera gástrica aguda com sangramento
refluxo gastroduodenal: a bile e o suco pancreático regurgitados nesse estado destroem a camada protetora da parede gástrica e levam a danos diretos nas células da mucosa;
hipergastrinemia (síndrome de Zollinger-Ellison);
infecção por citomegalovírus;
radioterapia e quimioterapia;
doença de Crohn.
Os fatores de proteção incluem:
barreira mucosa (mucinosa): localizada diretamente na camada mucosa e intimamente associada a ela. É composta por mucopolissacarídeos e glicoproteínas, impedindo a penetração dos fatores de agressão nas células epiteliais;
regeneração epitelial constantemente ativa: como mencionado acima, as células da mucosa gástrica são renovadas a cada 3–5 dias, o que ajuda na rápida recuperação de lesões da mucosa.
Apresentação clínica
Síndrome da dor. Localiza-se nas regiões superiores do abdômen: no epigástrio à direita — com úlcera duodenal ou pilórica; no epigástrio à esquerda ou por trás do esterno — com úlcera cardíaca; com úlcera pós-bulbar, a dor irradia para as costas. A dor é causada por irritação direta das terminações nervosas pelo conteúdo ácido, bem como por espasmo das camadas musculares da parede gástrica. As úlceras gástricas caracterizam-se por dores “de fome”, que diminuem após a ingestão de alimentos ou de um medicamento antiácido.
Azia. Apresenta-se como queimação retroesternal devido ao refluxo do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. Este refluxo é causado por distúrbios na motilidade gástrica devido ao efeito irritante das úlceras na parede muscular do órgão.
Náuseas e vômitos. Ocorrem devido à irritação reflexa e contração do estômago. Também podem resultar do desenvolvimento de estenose da saída gástrica.
Redução ou ausência de apetite (de gênese reflexa).
Sensibilidade abdominal à palpação. É determinada na projeção da úlcera, onde também pode ser observado defesa muscular da parede abdominal anterior. Na percussão abdominal na projeção da úlcera, a sensibilidade pode ser detectada — sintoma de Mendel.
É importante notar a possibilidade de evolução assintomática da úlcera péptica (segundo alguns autores, até 30% dos casos).
Diagnóstico de úlcera péptica gástrica e duodenal
Estudo da secreção gástrica (produção ácida basal e produção ácida máxima). A produção ácida máxima é determinada após estimulação da secreção gástrica (histamina, pentagastrina).
pH-metria. Normalmente, a acidez do conteúdo gástrico é 1,6–2,0. A úlcera duodenal é caracterizada por acidez elevada no canal pilórico e no duodeno.
Diagnóstico de infecção por Helicobacter pylori (teste respiratório, análise de sangue, análise de fezes).
Radiografia — método diagnóstico principal na confirmação da úlcera perfurada — detecção de gás livre sob a cúpula do diafragma.
Fluoroscopia. Sintoma principal — sintoma “do nicho”: ao preencher a cavidade da úlcera com contraste, aparece um rebaixamento característico (“nicho”). Sintoma de convergência das dobras — pregas gástricas dispostas radialmente com úlcera situada no centro. Também é frequentemente detectada a disfunção da motilidade gástrica, retorno retrógrado de alimentos para o esôfago. A eficácia deste método é máxima no diagnóstico de disfunção evacuadora e no desenvolvimento de estenose da saída gástrica. Para o diagnóstico de patologias duodenais, utiliza-se a duodenoscopia de relaxamento (antes do exame, alcança-se o máximo relaxamento e expansão dos músculos do duodeno com o auxílio de metacina, aerona, etc.) para completo preenchimento de todas as divisões e visualização dos seus contornos.
Exame endoscópico (FEGDS) — padrão ouro de diagnóstico na etapa atual. O método permite:
visualizar o defeito ulceroso;
determinar o estágio do processo e a localização da úlcera;
detectar complicações;
realizar biópsia;
realizar diagnóstico de infecção por Helicobacter pylori;
realizar manipulações endoscópicas em caso de complicações (hemostasia, clipagem de defeitos, coagulação por plasma de argônio, suturas endoscópicas).
Ultrassom. No nível atual de desenvolvimento desta tecnologia, é possível detectar infiltração ulcerosa e defeito da parede gástrica, bem como a presença de complicações da úlcera péptica (estenose, perfuração, câncer).
TC de abdômen — combina as vantagens da fluoroscopia e do ultrassom. É possível diagnosticar tanto o próprio defeito ulceroso quanto o desenvolvimento de complicações (perfuração, estenose, penetração, câncer).
Complicações e tratamento da úlcera péptica gástrica e duodenal
Perfuração (perfuração)
De acordo com várias fontes, esta complicação representa de 3 a 30% de todas as complicações das úlceras gastroduodenais. Entre os pacientes, 95% são homens.
As úlceras piloroduodenais ocorrem em 75% dos casos. A combinação de úlcera perfurada e hemorragia atinge 10%.
No quadro clínico da úlcera perfurada são identificados 3 períodos:
primeiras 4–6 horas — choque abdominal primário;
6–12 horas — período de bem-estar ilusório;
mais de 12 horas — estágio de peritonite.
Durante a perfuração, a dor é aguda e súbita (“dor em punhal”). Nas primeiras horas, localiza-se nos quadrantes superiores do abdômen e, em seguida, se espalha pelo canal lateral direito e por toda a cavidade abdominal.
Nas primeiras horas após a perfuração, observam-se:
bradicardia (devido à irritação do nervo vago);
secura da língua;
possível síndrome de frênico (irradiação da dor para a clavícula direita e escápula devido à irritação do nervo frênico direito);
na percussão pode não haver macicez hepática (devido à presença de gás livre na cavidade abdominal);
sensibilidade à palpação durante o exame retal (sintoma de Kulenkampff).
Como mencionado anteriormente, na radiografia detecta-se gás livre (em 70-80% dos casos). Para esclarecer o diagnóstico, é possível realizar uma endoscopia digestiva alta, e em caso de dúvida persistente sobre a perfuração, uma radiografia de repetição para detectar gás livre (neste caso, a utilidade diagnóstica é maior).
Com o progresso contínuo da doença, os principais sintomas tornam-se intoxicação e peritonite:
taquicardia;
queda da pressão arterial;
distensão abdominal;
paresia intestinal;
leucocitose progressiva.
Formas atípicas de perfuração (até 4-6% dos casos) incluem:
perfuração da parede posterior do estômago (para o saco omental);
perfuração da parede posterior do duodeno (para o espaço retroperitoneal);
perfuração de úlceras elevadas na região cardíaca do estômago na fronteira com o esôfago;
perfurações cobertas.
Nestes casos, o curso do quadro clínico é pouco característico, sem sintomas principais marcantes. O tratamento das úlceras perfuradas é exclusivamente cirúrgico (sutura da úlcera, ressecção gástrica).
Na maioria das vezes, realiza-se a sutura da úlcera:
sutura simples com pontos em U;
sutura por tamponamento omental segundo Oppel-Polikarpov (realizada na presença de grande orifício perfurativo e impossibilidade de ressecção);
ressecção da úlcera com piloroduodenoplastia.
As indicações para ressecção do estômago são:
úlcera calosa;
úlceras gástricas;
perfuração de múltiplas úlceras;
combinação de perfuração e estenose da saída gástrica.
Os seguintes tipos de ressecções são mais aplicáveis:
ressecção segundo Billroth I e Billroth II (na modificação de Hofmeister-Finsterer);
ressecção à Rux;
ressecção à Balfour.
Após tratamento cirúrgico de úlcera perfurada, é mandatório um curso completo de tratamento anti-úlcera.
Sangra
Esta complicação desenvolve-se em 10-15% dos pacientes. Os homens representam até 70%. Úlceras duodenais ocorrem em até 80% dos casos. A letalidade nesta patologia atinge 7–10%.
O sangramento ocorre devido à erosão (destruição) da parede de um grande vaso no fundo da úlcera no contexto do progresso da doença. A gravidade do quadro clínico é caracterizada pelo volume de perda de sangue – desde leve (menos de 20% do volume sanguíneo circulante) até grave (mais de 40% do VBC).
Animação 3D – úlcera pós-bulbar do duodeno complicada por penetração e sangramento.
A variabilidade das manifestações clínicas depende da gravidade do sangramento:
Dos sintomas desta complicação, os mais frequentemente encontrados são:
vômitos — vômitos de sangue (hematêmese) ou vômitos tipo “borra de café” (a hematina resultante oxida a hemoglobina com ácido clorídrico gástrico, dando uma cor marrom-escuro ao conteúdo vomitado);
fezes alcatroadas (melena) — fezes de cor negro-acastanhada e consistência não moldada; tal cor é obtida devido à ação de fermentos digestivos e microrganismos sobre a hemoglobina, seguida de degradação e mudança de cor do sangue extravasado.
É característico o sintoma de Bergman — redução das dores ulcerosas no início do episódio de sangramento.
O padrão ouro no diagnóstico é a endoscopia digestiva alta. A patologia exige hospitalização obrigatória em unidade cirúrgica hospitalar.
Em casos de perda de sangue de grau moderado a grave, os pacientes são levados para a sala de cirurgia, onde são realizadas todas as manipulações diagnósticas e terapia intensiva.
O tratamento conservador inclui:
plasma fresco congelado;
crioprecipitado ou tromboconcentrado;
ativadores de formação de tromboplastina (etamzilato);
inibidores da fibrinólise (ácido aminocaproico, ácido tranexâmico);
vitamina K (fitomenadiona);
cloreto de cálcio;
hipotermia local;
correção da anemia (massa eritrocitária);
correção da hipovolemia (soluções cristalóides);
tratamento anti-úlcera (inibidores da bomba de prótons, bloqueadores de H₂-histamina, antiácidos);
tratamento sintomático.
Durante o tratamento, realiza-se urgentemente endoscopia digestiva alta para detalhar a localização da úlcera e realizar hemostasia endoscópica.
Se as medidas realizadas forem ineficazes e o sangramento continuar, é realizada intervenção cirúrgica. O tipo de intervenção cirúrgica é determinado de acordo com a localização e natureza da úlcera, bem como o estado do paciente.
O procedimento mais justificável do ponto de vista patogenético é a ressecção de 2/3 do estômago (eliminação da úlcera e hipersecreção de ácido clorídrico). No entanto, devido à gravidade do estado, idade e comorbidades, nem todos os pacientes podem tolerar tal volume de cirurgia — em tais situações, realiza-se um procedimento de menor porte:
ressecção da úlcera com plástica gástrica ou duodenal;
em casos de gravidade extrema do paciente, limita-se à sutura do defeito ulceroso para parar o sangramento.
Obstrução gastrointestinal
A obstrução gastrointestinal (estenose da saída gástrica, estenose piloroduodenal) pode ser compensada, subcompensada ou descompensada.
Esta complicação pode ter:
caráter temporário (durante a exacerbação da úlcera devido a edema e infiltração do tecido com desenvolvimento de estenose do lúmen gastrointestinal);
caráter permanente (devido à deformação cicatricial após cicatrização das úlceras).
Devido à saída obstruída do conteúdo gástrico, o estômago dilata-se e aumenta de volume, a comida estagna nele e ocorre regurgitação do conteúdo. Em consequência do patogênese descrito, desenvolve-se o principal quadro clínico da doença:
arroto com cheiro fétido;
vômito de alimentos “não digeridos” (traz alívio);
dores periódicas nos quadrantes superiores do abdômen e sensação de plenitude gástrica mesmo após leve ingestão de alimentos;
perda de peso progressiva (devido à falta de entrada de nutrientes no intestino);
obstipação.
Com o progresso contínuo da doença e falta de tratamento, as disfunções eletrolíticas aumentam, levando a:
distúrbios neurológicos;
disfunção muscular;
coma hipoclorêmica.
O padrão ouro para diagnosticar essa patologia é a fluoroscopia. Ela permite determinar o grau de estenose.
Realizando uma endoscopia digestiva alta, também é possível detectar a presença de estenose, mas é extremamente difícil determinar o grau de compensação; só se pode avaliar indiretamente — pela permeabilidade do estreitamento ao endoscópio:
o diâmetro normalmente é de 2,5 cm;
com estenose compensada — 1,5 cm;
na fase subcompensada — 0,5–1,5 cm;
na descompensação — menos de 0,5 cm.
O tratamento nos estágios iniciais é conservador com o objetivo de diferenciar a restrição temporária da cicatricial. Durante o tratamento conservador por 7–10 dias, com a cicatrização do defeito ulceroso e a resolução da reação inflamatória na estenose temporária, a passagem da parte de saída do estômago é restaurada, enquanto que na restrição cicatricial orgânica não ocorre melhora.
Na estenose permanente, o tratamento é exclusivamente cirúrgico. Após a preparação pré-operatória para corrigir os distúrbios eletrolíticos e proteicos, é realizada a ressecção do estômago (geralmente 2/3 do estômago).
Animação 3D – úlcera crônica do duodeno com formação de estenose descompensada
Penetração da úlcera
A penetração da úlcera é a invasão do fundo do defeito ulceroso em órgãos vizinhos (ligamento hepatoduodenal, fígado, pâncreas, raramente no mesentério, parede do cólon, vesícula biliar, epíploo menor).
A principal característica desta complicação no quadro clínico é a alteração do caráter do síndrome doloroso: as dores tornam-se localizadas, constante sem relação com as refeições.
Pode surgir um quadro clínico de comprometimento do órgão no qual ocorreu a penetração:
pancreatite;
colecistite;
hepatite reativa;
icterícia mecânica;
omentite;
formação de infiltrações inflamatórias na cavidade abdominal.
O diagnóstico é feito utilizando os métodos descritos anteriormente:
Esofagogastroduodenoscopia— uma úlcera profunda com bordas elevadas é detectada; no fundo, às vezes é possível visualizar o órgão penetrado.
Radiografia — uma “nicha” profunda, fixada, que não se desloca com a mudança de posição do corpo é determinada.
Ultrassonografia – vizualizam-se infiltrações, sinais de inflamação dos órgãos adjacentes.
Tomografia Computadorizada dos órgãos abdominais (TC OB) – facilita a visualização da úlcera e da infiltração.
Penetração da úlcera do duodeno na cabeça do pâncreas – modelo 3D
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Malignização
No contexto de um processo inflamatório crônico prolongado, ocorre displasia das células do epitélio com desenvolvimento de transformação maligna e formação de tumor.
Diagnóstico:
Esofagogastroduodenoscopia com visualização do processo e realização de biópsia;
tomografia computadorizada dos órgãos abdominais (TC OB).
O tratamento é apenas cirúrgico seguido de tratamento oncológico específico.
FAQ
1. O que é doença ulcerosa?
A doença ulcerosa é uma doença crônica em que se formam defeitos da parede do órgão em áreas variadas da mucosa do estômago ou duodeno.
2. Quais são as causas da doença ulcerosa gástrica?
As causas da doença são acidez gástrica aumentada, infecção por Helicobacter pylori, uso prolongado de antiinflamatórios não esteroides, estresse, má alimentação e predisposição genética.
3. Quais são os sintomas da doença ulcerosa gástrica e duodenal?
Os sintomas principais incluem dor no abdômen superior (frequentemente relacionada à alimentação), azia, náuseas e vômitos. A perda de apetite e de peso também pode ser observada. Com o desenvolvimento de complicações aparecem sintomas característicos – hemorragia (manifestada por vômito com sangue ou fezes escurecidas), perfuração (manifestada por peritonite), estenose (disfunção do trânsito pelo trânsito gastrointestinal).
4. Quais são as queixas na doença ulcerosa gástrica?
Os pacientes queixam-se de dor ardente ou cortante na parte superior do abdômen, azia, náuseas, eructação, ocasionalmente vômito, bem como uma sensação de peso ou plenitude após as refeições. Com o desenvolvimento de complicações, surgem queixas características: na hemorragia – vômito com sangue e fezes pretas, na perfuração – dores agudas em todo o abdômen, na estenose – perda de peso e vômito frequente e abundante.
5. Como a doença ulcerosa gástrica e duodenal se manifesta em crianças?
Em crianças, a doença ulcerosa é menos comum, mas pode se desenvolver devido a infecção por Helicobacter pylori, fatores hereditários, doenças crônicas do trato gastrointestinal, além de estresse e má alimentação. Os sintomas em crianças são semelhantes aos dos adultos.
Referências
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VOKA 3D Anatomy & Pathology – Complete Anatomy and Pathology 3D Atlas (VOKA 3D Anatomia e Patologia – Atlas 3D completo de anatomia e patologia) [Internet]. VOKA 3D Anatomy & Pathology [VOKA 3D Anatomia & Patologia].
Disponível em: https://catalog.voka.io/
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Weber DG, Bendinelli C. Cirurgia de controle de danos para cirurgia geral de emergência. Em: Manual de cirurgia de cuidados agudos. Vol. 1. Cham: Springer International Publishing AG; 2017. p. 179-183. 397-398.
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