Mamoplastia: tipos, indicações, contraindicações, etapas do procedimento cirúrgico e possíveis complicações

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Mamoplastia é a correção cirúrgica do formato, do volume, da posição e da simetria das mamas; engloba o aumento e a redução dos seios e a mastopexia. É um dos procedimentos estéticos mais procurados, pois permite a correção simultânea de vários aspectos estéticos, desde um volume insuficiente ou excessivo e a assimetria até a flacidez dos seios após a gravidez ou com o passar dos anos.

A popularidade da mamoplastia também está associada à possibilidade de melhorar a autoestima, a autoimagem e o bem-estar psicossocial da paciente, conforme evidenciado por estudos sobre a satisfação pós-operatória. Ao mesmo tempo, a escolha do método cirúrgico e a extensão do procedimento devem se basear nas características anatômicas individuais, no estado de saúde e nas expectativas da paciente, bem como no equilíbrio entre benefícios e riscos.

Animação 3D – mamoplastia de aumento

Tipos de mamoplastia

Mamoplastia de aumento

Trata-se de cirurgia que visa corrigir a falta de volume e o formato das mamas utilizando implantes de silicone ou o lipofilling (enxerto de gordura autóloga).

Mamoplastia redutora

Trata-se de excisão cirúrgica do excesso de tecido glandular, do tecido adiposo e da pele das mamas em casos de macromastia e gigantomastia, com o objetivo de reduzir desconfortos físicos e restaurar as proporções anatômicas.

Mastopexia (lifting de mamas)

Trata-se de excisão do excesso de pele e reposicionamento do mamilo e da areola em uma localização anatomicamente correta para corrigir a ptose gravitacional, sem alterar o volume da mama.

Mamoplastia reconstrutiva

Restauração de um defeito mamário total ou subtotal após a mastectomia radical, utilizando expansores de tecido, implantes ou retalhos autólogos.

Indicações da mamoplastia

Indicações estéticas

  • Micromastia e hipoplasia: subdesenvolvimento congênito ou pequeno volume mamário determinado geneticamente.
  • Atrofia involucional pós-lactação: redução de volume, perda de elasticidade e diminuição do tecido glandular após a amamentação ou perda rápida de peso.
  • Ptose gravitacional: flacidez do tecido mamário e deslocamento do mamilo e da aréola para abaixo do sulco inframamário, devido ao envelhecimento natural.
  • Assimetria grave: uma diferença significativa (superior a um tamanho) entre os órgãos direito e esquerdo em termos de forma, volume ou nível de posicionamento.
  • Anomalias congênitas do desenvolvimento: defeitos anatômicos da estrutura, incluindo a deformidade tubular (colunar), o síndrome de Poland ou a amastia.

Indicações médicas (funcionais) e reconstrutivas

  • Macromastia e gigantomastia: hipertrofia tecidual excessiva causando dor crônica cervical e dor na coluna torácica, alterações posturais, osteocondrose e dermatite (intertrigo) nos sulcos submamários.
  • Defeito pós-mastectomia: perda tecidual total ou subtotal decorrente de tratamento cirúrgico radical do câncer de mama.
  • Deformidade pós-traumática: cicatrizes, assimetria ou perda de volume do órgão decorrentes de trauma mecânico, queimaduras ou intervenções cirúrgicas realizadas anteriormente de forma incorreta.
  • Síndrome de contratura capsular: uma complicação específica após a primeira mamoplastia de aumento que requer a mamoplastia de revisão, a capsulectomia ou a troca do implante.

Contraindicações para a cirurgia

Contraindicações absolutas

  • Doenças oncológicas em fase aguda: presença de neoplasias malignas em qualquer local do corpo (exceção: reconstrução imediata após a mastectomia, conforme a decisão de uma equipe multidisciplinar em oncologia).
  • Condições somáticas graves descompensadas: insuficiência cardíaca, renal, hepática ou respiratória descompensada.
  • Doenças infecciosas: infecções sistêmicas, tuberculose em fase ativa, HIV no estágio de AIDS, sífilis e quadros sépticos agudos.
  • Distúrbios da coagulação (hemostasia): coagulopatias congênitas ou adquiridas (por exemplo, hemofilia) associadas a um alto risco de sangramento descontrolado no intraoperatório.
  • Transtornos mentais: perturbações mentais significativas, incluindo depressão grave, esquizofrenia e dismorfia corporal (insatisfação patológica com a própria aparência que não pode ser corrigida cirurgicamente).

Сontraindicações relativas

  • Gravidez e lactação: a cirurgia é adiada por toda a duração da gravidez. É recomendado realizar a mamoplastia após 6 meses do término da amamentação.
  • Paciente menores de 18 anos: até a formação completa do tecido glandular e do esqueleto, exceto em casos que exijam reconstrução mamária imediata.
  • Diabetes e endocrinopatias: a cirurgia é possível apenas durante uma fase de compensação farmacológica estável, com monitoramento dos níveis de hemoglobina glicada.
  • Doenças crônicas na fase aguda: quaisquer condições somáticas e autoimunes (por exemplo, lúpus, artrite reumatoide) até alcançar a remissão estável.
  • Processos infeccioso-inflamatórios agudos: infecções respiratórias (infecções respiratórias agudas, influenza), bem como inflamação localizada da pele e do tecido subcutâneo na área da intervenção cirúrgica planejada.

Técnicas de posicionamento de implante

Subglandular (abaixo da glândula)

O implante é colocado diretamente sob o tecido mamário, no topo do músculo peitoral maior.

  • Vantagens: recuperação rápida, ausência de dor muscular e movimentação natural do implante juntamente com a mama.
  • Desvantagens: alto risco de contorno visível (rippling) em pacientes magras e maior risco de flacidez (ptose) com o passar do tempo.

Submuscular / subpeitoral (abaixo do músculo)

O implante é total ou parcialmente (na parte inferior) recoberto pelo músculo peitoral maior.

  • Vantagens: aparência muito natural, as bordas do implante não são perceptíveis ao apalpar, risco mínimo de contratura capsular.
  • Desvantagens: recuperação mais dolorosa, risco de deformidade por animação (mudança visível da posição do implante quando os músculos peitorais se contraem).

Dual-Plane

Esta é uma técnica combinada e a mais procurada entre as mulheres. A parte superior do implante é colocada sob o músculo peitoral maior, enquanto a parte inferior permanece sob o tecido mamário.

  • Vantagens: equilíbrio perfeito — uma transição suave e natural para o polo superior da mama e um movimento bonito e natural na parte inferior. Não se deforma quando os músculos se contraem.
  • Desvantagens: requer cirurgião muito qualificado.
Técnicas de posicionamento do implante: Dual Plane, submuscular / subpeitoral (abaixo do músculo) e subglandular (abaixo da glândula)
Técnicas de posicionamento do implante: Dual Plane, submuscular / subpeitoral (abaixo do músculo) e subglandular (abaixo da glândula)

Tipos de implantes mamários

Forma

Existem os seguintes tipos de implantes:

  • redondos — criam volume máximo na parte superior (efeito push-up). São indicados para a correção de assimetria e ptose;
  • anatômicos (gota) — repetem o formato natural da mama com ums transição suave na parte superior e com um volume na parte inferior;
  • cônicos — mudam de forma dependendo da posição do corpo: tornam-se redondos quando a paciente está deitada e adquirem a forma de gota quando está em pé.
Tipos de implantes mamários por formato
Tipos de implantes mamários por formato

Por material de preenchimento

Para preencher o implante mamário, usam-se:

  • gel de silicone (coesivo) — o tipo de preenchimento mais popular. Tem memória de forma. Se a cápsula externa do implante estiver danificada, o gel não vaza;
  • solução salina (soro fisiológico) — como material de preenchimento usa-se água salgada estéril. Esse tipo de implante é raramente utilizado devido ao risco de barulhos inconvenientes e rápida perda de forma.

Por tipo de revestimento

Destinguem-se dois tipos de implantes:

  • texturizados (ásperos) — aderem muito bem aos tecidos. Minimizam o risco de deslocamento;
  • lisos — mais suaves ao toque, mas apresentam maior risco de deslocamento e desenvolvimento de contratura capsular.

Principais etapas da cirurgia

  1. Marcação e anestesia: o cirurgião aplica marcações no tórax, a paciente é colocada sob anestesia geral.
  2. Incisão: é providenciado acesso necessário.
  3. Criação de bolsa: o cirurgião cria uma bolsa sob o músculo peitoral maior ou sob o tecido da glândula.
  4. Colocação do implante: a endoprótese é colocada na bolsa, sendo assim alinhada para criar uma simetria perfeita.
  5. Fixação e suturas: os tecidos são elevados, uma sutura cosmética oculta é aplicada e roupas de compressão são colocadas.

Pós-operatório

  • Primeiros 3 dias: a paciente passa um dia no hospital. Observam-se o inchaço intenso, a sensação de tensão e dor moderada, aliviada com analgésicos.
  • Primeiras 2 semanas: o inchaço e os principais hematomas desaparecem. A paciente retorna à rotina e ao trabalho de escritório. As suturas são removidas nos dias 10 a 14 (se não forem absorvíveis).
  • Até 3–6 meses: os implantes finalmente afundam nas bolsas formadas, os tecidos amolecem, o formato dos seios torna-se natural e as cicatrizes desaparecem.

Complicações da mamoplastia

Complicações precoces (primeiras semanas)

  • Hematoma ou seroma: acúmulo de sangue ou líquido seroso ao redor do implante. Requer drenagem.
  • Infecção: inflamação do tecido ao redor do leito do implante. É tratada com antibióticos e, em casos graves, pela remoção temporária da endoprótese.
  • Necrose nas bordas da ferida: circulação sanguínea inadequada nos tecidos (na maioria das vezes, é observada em pacientes fumantes ou com forte tensão na pele).
  • Deiscência de sutura: ocorre devido a atividade física excessiva ou características de cura individuais.

Complicações tardias (após alguns meses/anos)

  • Contratura capsular: endurecimento excessivo da cápsula fibrosa ao redor do implante, fazendo com que a mama fique dura e deformada.
  • Deslocamento ou rotação do implante: deslocamento do implante (especialmente quando se trata do implante anatômico), exigindo mais uma cirurgia para correção.
  • Ondulações (rippling): o aparecimento de ondas ou dobras visíveis na pele da mama devido à falta de tecido mole suficiente.
  • Alterações na sensibilidade: dormência temporária ou (raramente) permanente nos mamilos ou na pele da mama devido a traumas em pequenos nervos.
  • Simastia: fusão anormal das mamas na região pré-esternal devido a bolsas formadas muito próximas uma da outra.

FAQ

1. O que é a mamoplastia e quais procedimentos engloba?

Mamoplastia é um conjunto de procedimentos cirúrgicos que modificam ou restauram o formato, o volume e a posição das mamas. Engloba o aumento, a redução e a elevação das mamas, bem como procedimentos reconstrutivos.

2. O que é a mamoplastia de aumento e quais resultados permite alcançar?

Esta é uma cirurgia plástica que visa aumentar o volume das mamas e melhorar seu formato. O procedimento permite corrigir a assimetria, restaurar o volume após a gravidez ou a perda rápida de peso e criar proporções corporais harmônicas. Como resultado, os seios ficam maiores, firmes e atraentes.

3. Quando é realizada a mamoplastia de aumento combinada?

As principais indicações são a flacidez mamária (ptose) moderada associada à perda de volume dos seios. A cirurgia permite a colocação simultânea de implantes de silicone e a elevação dos tecidos (mastopexia periareolar) por meio de uma única incisão circular ao longo da borda da aréola. Isso elimina a necessidade de fazer incisões longas, verticais ou em formato de âncora.

4. Qual é a diferença entre o aumento das mamas e a mastopexia?

Na mamoplastia de aumento, o volume das mamas é alterado com o uso de implantes ou do próprio tecido adiposo da paciente. A mastopexia principalmente visa corrigir a flacidez e o deslocamento do mamilo e da aréola. Se necessário, ambos os procedimentos podem ser combinados.

5. Para quem é indicado o aumento das mamas sem elevação?

A cirurgia é ideal para pacientes que querem aumentar o volume ou corrigir o formato das mamas, mas não apresentam a flacidez tecidual significativa. Os requisitos fundamentais são uma boa elasticidade da pele e a ausência de ptose (flacidez) grave. Se houver a ptose, a colocação de implantes sem elevação apenas adicionará peso às mamas, comprometendo o resultado estético.

6. De quais materiais os implantes mamários modernos são feitos? É preciso substituí-los após 10 anos?

Os implantes modernos consistem em uma cápsula externa de silicone resistente (texturizada ou lisa) e um interior de gel de silicone coesivo (com memória de forma) que não vaza, mesmo em caso de ruptura. Para esses implantes, os principais fabricantes da indústria oferecem garantia vitalícia, portanto, troca programada após 10 a 15 anos não é necessária.

7. Quanto tempo leva recuperar após a mamoplastia e quais restrições devem ser seguidas?

O inchaço inicial, os hematomas e a sensação de tensão diminuem em 7 a 14 dias, e os pontos são removidos entre 10 e 14 dias. Durante o primeiro mês, atividades esportivas e dormir de lado ou de bruços são estritamente proibidos. Também, é essencial vestir roupas de compressão 24 horas por dia. Os tecidos se recuperam totalmente e os implantes se acomodam em sua posição final entre 3 a 6 meses após a cirurgia.

8. É possível amamentar após a mamoplastia?

A capacidade de amamentar depende do tipo de cirurgia, da localização das incisões e da extensão dos danos ao tecido glandular, aos ductos e aos nervos. Na maioria dos casos, implantes não impedem a lactação; no entanto, a produção e o fluxo de leite podem ser prejudicados após procedimentos periareolares, a redução mamária ou um reposicionamento significativo do mamilo e da aréola.

9. Quais riscos específicos e complicações tardias são possíveis após a mamoplastia?

Complicações específicas raras incluem a contratura capsular (espessamento da cápsula fibrosa ao redor do implante que causa a deformidade da mama), a rotação de um implante anatômico e a simastia (fusão visual das mamas na região pré-esternal). Os riscos são minimizados por meio da seleção adequada da bolsa e da adesão às diretrizes de recuperação.

Referências

1.

VOKA 3D Anatomy & Pathology – Complete Anatomy and Pathology 3D Atlas [Internet]. VOKA 3D Anatomy & Pathology [VOKA 3D Anatomia & Patologia].

Available from: https://catalog.voka.io/

2.

Graf R, LeBlanc D. Tissue Preservation in Primary Breast Augmentation: From Founding Concepts to Early Evidence. Aesthet Surg J. 2026 Aug 11;46(Supplement_2):S93-S95. doi: 10.1093/asj/sjag114. PMID: 42579314; PMCID: PMC13459502.

3.

Pittman TA, Steve A, Zeidler K, Chidester JR, Calobrace MB. Minimally Invasive, Tissue-Preserving Breast Augmentation: Insights From a Large Case Series, Technique and Surgical Pearls. Aesthet Surg J. 2026 Aug 11;46(Supplement_2):S117-S126. doi: 10.1093/asj/sjag113. PMID: 42579316.

4.

Ors S. Nipple Dimensions After Augmentation Mammoplasty, Mastopexy and Reduction Mammoplasty: A Comparative Clinical Study. Aesthetic Plast Surg. 2020 Dec;44(6):2089-2093. doi: 10.1007/s00266-020-01861-5. Publicado eletronicamente em 15 de julho de 2020. PMID: 32671450.

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